terça-feira, 29 de novembro de 2011

Enquanto dura.

Trocou uma maçã por suposto amor. Amor que não era, não foi, não vingou. Desde então Alicia tem medo de sentir. Vai escondendo paixões, ciúmes e afins. Prefere o veneno. O finito. O efêmero.

Quanto dura uma maçã? Dura o tempo que eu quiser. Aonde eu quiser. Como eu quiser. Dura infinitos quarenta e cinco minutos em qualquer lugar vazio. De pessoas. De sentimentos. Dura três minutos cheios daquela coisa vazia chamada paixão. Entre um espasmo e outro. Dura o fechar de olhos, de braços e pernas. Dura um aperto no peito. Dos cabelos da nuca entre os dedos. E acaba antes que sobre algo com fôlego suficiente pra sentir. Antes que algo permaneça, além do leve gosto de maçã envenenada.

Alicia não imagina que, enquanto morre aos poucos, começa a achar algo além do veneno no gosto daquela maçã.

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