terça-feira, 5 de outubro de 2010

Para ele que, de anjo, não tem nem as asas.

Ela me contou que ele a chama de "amor",
ela o chama de "meu bem".
E era pra ser só no feriado. Mas ainda estão.
Ela me conta, meio cantando meio sorrindo,
que ele não é tudo, mas é tanto!...
E não a enjoa.
Nem o gosto de cigarro,
nem o cheiro leve do passado,
nem a barba que arranha,
nem o cabelo enrolado.
Nem o jeito de falar arrastado,
nem a tristeza estranha,
nem a voz mansa,
nem se ressona quando acalentado.
Nada nele lhe cansa.
Até a meloncolia dele parece sorriso
e ela gosta de carregar no rosto.
E ela não palpita até quando vai durar.
Até que eles não possam mais com tanto peso,
tanto sentimento, tanto medo?
Ela não arrisca dizer datas. Nem ele.
Dizem que é pra ser até quando não for mais.