segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Então morreremos de repente.

Te mato sim, e com prazer
Te mato com meu veneno
com um beijo de sofrer
Ou com abraço de adeus, ameno
Minha vinda só vem pra sangrar
Tenho muito veneno que destilar
Tento adiar o desfecho
E não dá.
Mas tenho que abrir a porta para o teu fim.
E vou te matando
aos poucos


dentro de mim.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Aquele suicida (ou o meu bem)

E foi então que ele me abraçou.
Com a cabeça pendendo lentamente na direção do meu pescoço.
De onde o aroma do veneno vinha mais forte.
E me beijou de olhos fechados.
Mesmo depois de ver que o tóxico me fluía dos dentes.
Me prendeu com os braços.
Tentei fugir.
Era vida pra ele.
Liberdade pra mim.
Mas não vai acontecer.

Às vezes a Alicia tenta ser boazinha.
Mas ele insiste em morrer.

Controle

Ela se sente tentada a pensar que temos todo o controle nas mãos.
Eu tenho certeza de que o nosso controle está nas pernas.

Tenho uma maçã aqui. Quero dividi-la com você.

O que eu vou ter que fazer?
Usar todo o veneno que tenho de reserva?
Destilar a última gota de fúria que me resta?
Não consigo mais.
A fúria se vai quando você me beija.
Com jeito de quem se rende.
Com jeito de quem não esqueceu o caminho.
Com jeito de quem se sente em casa.
De quem não está sentindo meu veneno escorrendo pela garganta.
E eu finjo que não estou destilando um pouco na minha própria.
Finjo que não tenho pressa em te prender.
Num último enlace de viúva negra.
Finjo não ter pressa em te envolver com braços e pernas.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Este não é o momento certo para despertar meu veneno.
A morte me parece doce. Para sentir e para causar.

Conto de Fadas

Ela vivia numa redoma de vidro colorido. Vestia-se de um vestido bordado. Parecia de festa. Dançava com o vento, cantava com os pássaros, beijava as flores. Conhecia os bichos pelo nome. Ela amava sem nada pedir em troca. Sorria sempre. Era feliz. E linda de se ver.
Nunca fez fofoca nem traiu ninguém. Era um doce de menina. Conhecia as pessoas antes de falar qualquer coisa sobre elas - veja que amor! Nunca fez ninguém chorar. Nunca se machucou. Ela nunca pensou maldades.

Nem nunca existiu de verdade.
Pegue aqueles medos e faça-os passar devagar nas minhas veias de novo. Pra eu me sentir viva, enquanto te mato aos poucos. Se dentro ou fora de mim, já não sei.

Tenho meus motivos pra te matar

1. Eu te odeio
2. Tu não me beija de uma vez